O navio de guerra «Ocean» (HMS Ocean) — um navio de guerra britânico que naufragou nas proximidades dos Dardanelos
O navio de guerra «Ocean» (HMS Ocean) não é uma fortaleza de pedra nem uma colunata antiga, mas sim um pesado navio de guerra britânico do tipo dreadnought, que ficou para sempre no fundo da baía de Morto, na entrada dos Dardanelos. A 18 de março de 1915, no dia mais terrível para a frota aliada em Çanakkale, o navio foi atingido por uma mina e afundou-se em frente ao cabo de Eskihisar, onde hoje se ergue o memorial de Çanakkale aos mortos em combate. O navio de guerra «Ocean» (HMS Ocean) foi construído em Devonport em apenas dois anos e meio e lançado à água em julho de 1898; quinze anos depois, os seus canhões de 12 polegadas trovejavam sobre o Shatt al-Arab, o Suez e o estreito que se tornou o seu túmulo. Esta é a história de um navio cuja perda transformou a costa turca junto a Erenköy numa das páginas mais dramáticas da história naval do século XX.
História e origem do navio de guerra «Ocean» (HMS Ocean)
O navio pertencia à série «Canopus» — seis navios de guerra blindados, projetados pelo Almirantado especialmente para o Extremo Oriente. Na viragem dos séculos XIX e XX, o Japão construía rapidamente a sua própria frota, e Londres precisava de uma classe de navios capazes de chegar a Hong Kong por meios próprios e, ao mesmo tempo, não ficar atrás em poder de fogo dos antigos «Majesticos». Os projetistas sacrificaram a espessura da blindagem, mas, pela primeira vez na prática britânica, utilizaram o aço cimentado da Krupp e caldeiras de tubos de água de Belville — um compromisso que proporcionou um aumento de velocidade de dois nós completos.
A cerimónia de lançamento do casco teve lugar a 15 de dezembro de 1897 no estaleiro de Devonport; o «Ocean» tornou-se o primeiro grande navio de guerra construído ali. O lançamento ao mar, a 5 de julho de 1898, decorreu na presença dos lordes do Almirantado, e o nome do navio foi dado pela princesa Louise, marquesa de Lorn, durante a cerimónia de batismo. O navio de guerra entrou em serviço a 20 de fevereiro de 1900, sob o comando do capitão Ashton Curzon-Howe, e já em março substituiu o «Hood» em Gibraltar, passando a integrar a Frota do Mediterrâneo.
Em janeiro de 1901, o navio foi transferido para a estação chinesa: no Extremo Oriente, a Revolta dos Boxers estava em pleno andamento. Em outubro de 1902, o «Ocean» chegou a Port Lazarev, na Coreia, foi apanhado por um tufão e ficou em reparação até 1903. Após a conclusão da aliança anglo-japonesa em 1902, o Almirantado reduziu a sua presença na China: a 7 de junho de 1905, o navio de guerra partiu de Hong Kong juntamente com o navio gémeo «Centurion»; em Singapura, juntaram-se a eles os navios do mesmo tipo «Albion» e «Vengeance», e a 2 de agosto os quatro navios ancoraram em Plymouth.
Seguiu-se então a rotina habitual da época: reserva em Chatham, regresso ao serviço a 2 de janeiro de 1906, serviço na Frota do Canal, reparações, Mediterrâneo, doca de Malta, instalação de aparelhos de controlo de fogo. Em 1910, o «Ocean» já era considerado obsoleto e foi transferido para a 4.ª Divisão da Frota da Metrópoli, e na véspera da guerra estava baseado em Pembroke Dock como navio da Terceira Frota.
Com o início da Primeira Guerra Mundial, a 14 de agosto de 1914, o navio integrou a 8.ª Esquadra de Combate da Frota do Canal. A 21 de agosto, foi enviado para Queenstown (atual Cow) na Irlanda — para guardar as aproximações ao Atlântico e apoiar a esquadra de cruzadores. Em setembro, seguiram-se ordens sucessivas: primeiro, substituir o navio gémeo «Albion» nas ilhas do Cabo Verde, depois — na Madeira, e posteriormente nas Açores. A ameaça da Esquadra do Leste Asiático alemã do almirante von Spee e do cruzador «Königsberg» obrigou o Almirantado a redirecionar o «Ocean» para a Estação das Índias Orientais, onde o aguardavam comboios com tropas indianas com destino à Mesopotâmia e ao Egito. O cruzador blindado «Minerva» juntou-se ao navio de guerra, e no outono de 1914 o «Ocean», na qualidade de navio almirante da esquadra no Golfo Pérsico, já apoiava operações de desembarque no delta do Shatt al-Arab.
Arquitetura e o que ver
O próprio navio, evidentemente, não pode ser visitado — encontra-se no fundo do mar a cerca de quarenta metros de profundidade e é considerado um túmulo militar. Mas imaginar a sua «arquitetura» é útil para compreender a dimensão da tragédia nos Dardanelos. E o mais importante — na costa de Edjeabat, preservou-se toda uma paisagem da memória, fisicamente ligada ao último dia do «Ocean».
Casco e calibre principal
O comprimento do navio pelo casco é de 128,47 metros, a largura de 23 metros e o calado de quase 8 metros. O deslocamento total aproximava-se das 14 300 toneladas longas. A tripulação era composta por 682 oficiais e marinheiros. O armamento principal consistia em quatro canhões de 12 polegadas de 35 calibres, dispostos em duas torres duplas na proa e na popa sobre barbete redondas: esta solução permitia carregar os canhões em qualquer posição da torre, mas apenas com um ângulo de elevação fixo.
Artilharia de calibre médio — doze canhões de 152 milímetros com comprimento de 40 calibres em casamatas ao longo dos flancos. Para combater os contratorpedeiros, foram adicionados dez canhões de 12 libras e seis de 3 libras. Abaixo da linha de água, estavam escondidos quatro lançadores de torpedos de 18 polegadas. A cintura principal em aço Krupp tinha 152 mm (em vez dos 229 mm dos «Majestics»), as torres tinham 254 mm, as barbetas 305 mm, a casa do comando 305 mm e dois pavimentos blindados com 25 e 51 mm.
Sistema de propulsão
Duas máquinas a vapor de tripla expansão com três cilindros recebiam vapor de vinte caldeiras tubulares de Belville — uma solução revolucionária para a época. Isso permitiu abandonar a disposição transversal das chaminés e, pela primeira vez, instalar os tubos longitudinalmente, como posteriormente em todos os navios modernos. A velocidade de projeto de 18 nós a 13 500 cavalos-vapor indicados era considerada excelente para um navio blindado daquela geração.
Última batalha e local da morte
A 18 de março de 1915, o almirante John de Robeck conduziu para os Dardanelos uma esquadra conjunta anglo-francesa composta por dezasseis navios de guerra — a maior passagem pelo estreito na história. O «Ocean» navegava na segunda linha, juntamente com o «Majestic», e apoiava o trio principal — «Queen Elizabeth», «Agamemnon» e «Lord Nelson». Por volta das 14 horas, o navio francês «Bouvet» foi atingido por minas no «Nusret» e afundou-se em dois minutos, levando consigo 600 vidas. Algumas horas depois, o «Irresistible» colidiu com a mesma linha; o «Ocean» recebeu ordens para resgatar a sua tripulação e tentar rebocá-lo. Sob intenso fogo da costa europeia, o reboque fracassou e, ao retirar-se, o próprio «Ocean» foi atingido por uma mina no cabo de Eskihisar. Os contratorpedeiros conseguiram resgatar a tripulação, e o navio vazio afundou-se lentamente na baía de Morto, nas coordenadas aproximadas de 40°01′ N, 26°18′ E.
O que ver na costa hoje
A poucos quilómetros a oeste do local do naufrágio ergue-se o Memorial dos Mártires de Çanakkale (Çanakkale Şehitler Abidesi), com 41,7 metros de altura — o principal monumento nacional da Turquia, dedicado aos defensores dos Dardanelos. Do seu miradouro, a baía de Morto é perfeitamente visível e, em dias claros, até a ilha de Gökçeada. Nas proximidades encontra-se o parque-museu de Simena, com trincheiras restauradas, casamatas e a escultura do cabo Seyt, que, sozinho, levantou um projétil de 276 kg durante a batalha de 18 de março de 1915. Nas proximidades encontram-se o forte Rumeli Mecidiye, o forte Sedülbahir e os cemitérios memoriais — britânico, francês, australiano-neozelandês e turco. Em conjunto, formam o Parque Histórico Nacional «Península de Gelibolu», aberto 24 horas por dia e com entrada gratuita na maioria dos locais.
Fatos interessantes e lendas
- O «Ocean» tornou-se o primeiro grande navio de guerra construído no estaleiro estatal de Devonport, provando assim a capacidade dos estaleiros públicos de competir com gigantes privados como a Vickers e a Armstrong.
- Em novembro de 1914, um destacamento de 600 homens do «Ocean» entrou na fortaleza de El-Fao, na foz do Shatt al-Arab, e tomou-a sem um único tiro de resistência — este episódio foi o prólogo de toda a campanha da Mesopotâmia.
- Na manhã de 18 de março de 1915, o «Ocean» tentou rebocar o navio blindado «Irresistible», que já tinha sido atingido por uma mina, mas o fogo intenso das baterias de Erenköy obrigou-o a desistir do resgate; o navio conseguiu resgatar parte da tripulação antes de ele próprio colidir com uma mina.
- A historiografia turca salienta especialmente o papel do navio de minagem «Nusret», que, secretamente, lançou 26 minas na noite de 8 de março na zona da baía de Erenköy — foi precisamente esta linha que destruiu o «Ocean», o «Irresistible» e o francês «Bouvet». Uma réplica do «Nusret» encontra-se junto ao memorial de Çanakkale como monumento.
- Segundo a versão turca, ainda antes de a «Ocean» ter sido atingida pela mina, o sistema de direção tinha sido danificado por um projétil do cabo Seyt, do forte Rumeli Medjidiye — a este momento são dedicados filmes, manuais escolares e poemas; para milhões de turcos, o dia 18 de março continua a ser, até hoje, o Dia da Vitória e dos Caídos em Çanakkale.
Como chegar
O ponto de acesso mais próximo do local da tragédia é a aldeia de Seddyulbahir e o cabo de Eskihisarlijk, na margem europeia do estreito, província de Çanakkale, distrito de Eceabat. A rota mais conveniente para um viajante de língua russa é voar para Istambul (aeroporto IST ou SAW), apanhar um autocarro das companhias Metro Turizm, Truva ou Kamil Koç até à estação rodoviária de Çanakkale (cerca de 5–6 horas, passando por Tekirdağ e pela travessia de ferry Lapseki–Çanakkale) e, de lá, apanhar o ferry através do estreito até a Edgebat (15–20 minutos, com partidas de hora a hora). De Edgebat até ao memorial e a Seddyulbahir são 35 km pela estrada D550 — cerca de 40 minutos de miniautocarro (dolmuş) ou táxi.
Alternativa — voo doméstico da Turkish Airlines ou da AnadoluJet para o aeroporto de Çanakkale (CKZ), depois autocarro urbano ou táxi até à balsa. Para quem viaja de carro, é mais conveniente passar pela ponte Çanakkale 1915, inaugurada em 2022: a travessia demora 6 minutos em vez de uma hora na balsa. A viagem da ponte até ao memorial Şehitler Anıtı demora cerca de 25 minutos.
Dicas para o viajante
A melhor altura para viajar é abril-maio e setembro-outubro: o ar está quente, o vento do mar é moderado e as multidões de excursões escolares ainda são pequenas. A 18 de março, milhares de turcos reúnem-se na península de Gelibolu — é o Dia da Memória dos Caídos em Çanakkale, com cerimónias solenes no memorial e fogos de artifício; o espetáculo é impressionante, mas é necessário reservar alojamento em Edgebat e Çanakkale com um mês a um mês e meio de antecedência. No verão, especialmente em julho e agosto, o calor pode ser exaustivo, e quase não há locais com sombra nas antigas posições — leve água, um chapéu e protetor solar.
Reserve um dia inteiro, ou melhor ainda dois, com pernoita em Edgebat ou diretamente nos parques de campismo do parque nacional, para visitar todo o complexo dos campos de batalha (Şehitler Abidesi, Forte Sedülbahir, Cabo Gelles, Anzac Cove, Lone Pine, Forte Rumeli Mecidiye). À entrada do complexo museológico há estacionamento gratuito e um audioguia em russo (disponível no centro de informações mediante a apresentação de um documento como caução). O mergulho junto ao casco do «Ocean» e de outros navios naufragados é proibido sem autorização especial das forças armadas turcas e do Ministério da Cultura — trata-se de um cemitério militar protegido.
Combine a visita com a exploração da antiga Tróia, 30 km a sul de Çanakkale (património da UNESCO), e da cidade de Assos, na costa do Mar Egeu; juntamente com a península de Gelibolu, formam um itinerário intenso de dois a três dias pela «clássica» Turquia noroeste. Da gastronomia da região, vale a pena provar o «peynirli pide» de Çanakkale, sardinhas frescas grelhadas e o azeite local de Ezine. E por último: o navio de guerra «Ocean» (HMS Ocean) não é apenas um navio de guerra britânico no fundo do mar de Morte, mas também parte da memória comum da Grã-Bretanha, da Turquia, da França e dos países da Commonwealth; pare um momento junto ao obelisco em Şehitler Abidesi e contemple o estreito — foi precisamente aqui, em março de 1915, que se virou uma página da história naval.